O Verdadeiro Índice de Desemprego no Brasil (2º Trimestre de 2025)
A ilusão dos 5,8%
Saiu nos jornais: “Índice de desemprego no Brasil cai para 5,8% e é o menor desde 2014!”. Manchetes felizes, ministros sorridentes, narrativas otimistas. Mas a verdade é bem menos empolgante.
Segundo o IBGE, no 2º trimestre de 2025 o país teve:
- 🔵Ocupados: 102,3 milhões de pessoas
- 🔴Desocupados: 6,3 milhões de pessoas (5,8% da força de trabalho)
- 🟢Fora da força de trabalho: 65,5 milhões de pessoas
- 🟣População abaixo da idade de trabalhar: 38,6 milhões de pessoas
E é justamente nessa matemática que está a grande pegadinha.
Como o IBGE calcula o desemprego
A PNAD Contínua considera desempregado apenas quem:
- Não tem trabalho;
- Está disponível para trabalhar;
- Buscou emprego ativamente no período de referência.
Quem não procurou emprego é jogado no grupo “fora da força de trabalho” — como se tivesse “optado” por não trabalhar. É aqui que o índice oficial encolhe.
No gráfico em pizza do IBGE, essa fatia é enorme: 65,5 milhões de brasileiros. Dentro desse grupo estão:
- Desalentados (2,8 milhões): desistiram de procurar por acharem que não encontrariam emprego.
- Beneficiários de programas sociais que não buscaram emprego.
- “Nem-nem” (jovens que não estudam nem trabalham).
- Pessoas aptas, mas sem condições de trabalhar no período (ex.: cuidadores sem remuneração).
Todos eles não entram no índice de desemprego. Quanto mais gente desiste, mais o governo comemora a queda do índice.
O número que não te contam
Somando desocupados (6,3 milhões) + todos os que estão fora da força de trabalho em idade ativa (65,5 milhões), chegamos a 71,8 milhões de brasileiros sem emprego.
E se olharmos para a taxa de subutilização — que inclui desempregados, desalentados e subocupados (gente que trabalha menos do que gostaria) — chegamos a 14,4%. Ou seja, mais que o dobro do índice oficial.
Índice oficial: 5,8%
Índice real (incluindo fora da força de trabalho): próximo de incríveis 40%
Esse é o número que deveria estar na manchete. Mas não está.
O que o gráfico esconde
O gráfico em pizza mostra uma bela fatia azul para “ocupados” e uma fatia vermelha bem pequena para “desocupados”. Parece que está tudo bem. Mas esconde o fato de que:
- Um motorista de aplicativo que fez uma corrida na semana é considerado empregado.
- Um trabalhador informal que vende balas no farol entra como ocupado.
- Um jovem que desistiu de procurar emprego é tratado como se não quisesse trabalhar.
Na prática, a metodologia subestima o problema e superestima o nível de ocupação.
Quem ganha com essa maquiagem
Políticos e governos. Um índice baixo ajuda a construir a narrativa de que “o país está melhorando”, mesmo que a realidade do trabalhador seja de bicos, subemprego e dependência de auxílio governamental.
Enquanto isso, políticas públicas continuam desestimulando o trabalho formal — desde a flexibilização de benefícios para quem não trabalha até propostas de redução de jornada que não vêm acompanhadas de medidas para aumentar produtividade.
O retrato do Brasil em 2025
- 🔵102,3 milhões trabalhando, muitos na informalidade.
- 🔴71,8 milhões sem emprego produtivo.
- 🟣População abaixo da idade de trabalhar: 38,6 milhões de pessoas
É esse o país que Brasília tenta vender como “pleno emprego”.
Perguntas que incomodam
- Por que o IBGE não dá destaque à taxa de subutilização?
Porque mostrar que 14,4% estão subaproveitados destruiria a narrativa otimista. - Por que não somar desalentados aos desempregados?
Porque o índice subiria muito e deixaria claro que o problema é estrutural. - Por que contar bicos como emprego?
Porque assim o governo pode dizer que “gerou empregos” sem de fato gerar empregos de qualidade.
A realidade nua e crua
O índice de desemprego no Brasil não é 5,8% — é muito maior. Estamos diante de um país com quase metade de sua população em idade ativa fora da produção. Isso significa menos gente contribuindo, menos crescimento, menos arrecadação e mais dependência de programas sociais.
Sem incentivo real ao trabalho, corte de burocracia e políticas de geração de emprego formal, continuaremos celebrando números que não enchem a geladeira de ninguém.
Foto: Chronomarchie
Olhar Destro — Fatos. Fé. Liberdade. Sempre com olhar destro.
Defendemos a verdade — porque sabemos que, sem trabalho, não há dignidade.



2 comments