Operação no Rio de Janeiro: o Estado contra o Comando Vermelho

Operação no Rio de Janeiro

O Rio de Janeiro está em guerra.
Não é força de expressão — é literal.
Blindados tomam as ruas, helicópteros cruzam os céus e famílias inteiras se trancam em casa enquanto a Operação no Rio de Janeiro tenta conter o avanço do Comando Vermelho (CV), a maior facção criminosa do país.

A ofensiva é uma das maiores da história recente: 2.500 agentes, 100 mandados de prisão e mais de 120 mortos, entre eles quatro policiais que foram mortos em combate.
Mas, mais uma vez, o Estado do Rio luta praticamente sozinho, sem apoio federal, sem recursos, e, o que é pior, sob o desprezo ideológico do governo Lula.


Os traficantes são vítimas dos usuários”, a frase que revela mais do que uma gafe

Dias atrás, o presidente Lula afirmou que “os traficantes são vítimas dos usuários”, e o país reagiu com perplexidade.
A fala soou absurda, mas o procurador Marcelo Rocha Monteiro, do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), foi direto: não foi apenas uma frase infeliz, é um pensamento real que norteia as ações (ou omissões) do governo federal.

Durante entrevista à Jovem Pan, o procurador escancarou a verdade:

“O governador Cláudio Castro pediu ajuda à União diversas vezes e foi ignorado. As forças estaduais estão sozinhas nessa guerra.”

Enquanto o governo federal se recusa a agir, o crime se organiza, se fortalece e se territorializa.
Hoje, três milhões e meio de fluminenses vivem sob domínio direto do tráfico. E, como mostrei no artigo Brasil sob Governança Criminal, publicado recentemente aqui no Olhar Destro, 26% dos brasileiros vivem sob “governo paralelo” das facções e milícias, o índice mais alto da América Latina.

O que antes era um fenômeno local tornou-se uma estrutura de poder, amparada pela omissão política e pela leniência judicial.


Judiciário: da toga ao fuzil

O procurador Marcelo Monteiro foi contundente ao apontar o papel do Judiciário nesse colapso.
Segundo ele, a decisão da ADPF 635, imposta pelo Supremo Tribunal Federal, reduziu em 60% as operações policiais no Rio de Janeiro.
O resultado foi previsível: o território do Comando Vermelho aumentou 25%, expandindo-se para além das favelas e alcançando bairros inteiros.

Pior: o sistema jurídico brasileiro trata traficantes como vítimas.
Monteiro exemplificou:

“Traficantes presos em áreas dominadas por facções não são considerados membros das facções porque falta ‘prova documental’. Resultado: penas reduzidas em dois terços, regime aberto e, em alguns casos, substituição da prisão por cestas básicas.”

É o “tráfico privilegiado”, criado por interpretações benevolentes da lei, uma invenção jurídica que transformou o crime em profissão regulamentada.


O retrato da inversão moral

Enquanto a polícia arrisca a vida em becos, o ministro da Justiça comemora o fato de 40% dos criminosos presos em flagrante serem soltos em 24 horas.
É a institucionalização da impunidade.

O mesmo ministro que se orgulha das audiências de custódia, que devolvem à rua bandidos reincidentes, é o mesmo que jamais ofereceu apoio material à polícia fluminense.

E o presidente?
O presidente prefere relativizar o mal, sugerindo que “não existe polarização entre o bem e o mal”.
Mas há, sim.
Há policiais morrendo de um lado, e assassinos armados do outro.
Há cidadãos trancados em casa, e criminosos livres nas ruas.

Quando o chefe do Executivo nega reforço federal a um estado sitiado, ele escolhe um lado.
E não é o lado do bem.


Governança Criminal: quando o Estado perde o monopólio da lei

A Operação no Rio de Janeiro expôs um fato que venho denunciando: o Brasil está sob Governança Criminal.
Como descrevi no artigo anterior, esse conceito, estudado pela Cambridge University Press, define territórios em que o poder público é substituído por facções que cobram impostos, impõem regras e distribuem “justiça”.

No Rio, essa realidade deixou de ser exceção.
Hoje, o crime atua como Estado paralelo, oferecendo segurança, gás, internet e até “proteção” aos moradores, o que o procurador chamou de “ordem sob terror”.
E o mais grave: há quem prefira esse tipo de “governo” à completa ausência de autoridade.


DPF 635 e o legado da omissão

Segundo Monteiro, as restrições impostas pelo STF em 2019 (ADPF 635) foram o maior presente já dado ao Comando Vermelho.
A decisão reduziu drasticamente as incursões policiais, o que permitiu que as facções se expandissem e consolidassem poder.
Agora, mesmo com parte das restrições suspensas, os efeitos dessa política judicial vão durar pelo menos mais cinco anos, segundo estimativas do próprio MPRJ.

Em outras palavras: o Supremo proibiu a polícia de agir e entregou as favelas ao tráfico.


Enquanto isso, o povo sangra

Na prática, quem paga essa conta é o cidadão comum.
Moradores que não conseguem ir trabalhar, escolas que suspendem aulas, comércios que fecham as portas.
O terror virou rotina.

E para quem vive fora do Rio, vale lembrar: o que começa no Rio nunca fica no Rio.
O modelo de governança criminosa fluminense, com crime organizado, sistema judicial leniente e Estado ausente, está se espalhando pelo Brasil.


Conclusão: o silêncio é cumplicidade

A Operação no Rio de Janeiro é mais do que uma ação policial, é um grito de socorro de um Estado abandonado pelo próprio país.
Enquanto o governo federal fecha os olhos e o Judiciário abre as celas, a sociedade fluminense enfrenta sozinha a tirania das armas e da omissão.

O procurador Monteiro resumiu o que todo brasileiro sente:

“O problema não é o bandido. O problema é o Estado que o protege.”

O Brasil precisa decidir de que lado está.
Do lado da lei, ou do lado do fuzil.


Olhar Destro — Fatos. Fé. Liberdade.

Defendemos a verdade, porque sem justiça, não há liberdade.

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