PL Antifacção: A Resposta Histórica do Brasil ao Crime Organizado
“O tempo da impunidade acabou”. Com essa declaração contundente, o deputado Guilherme Derrite (PP-SP) celebrou a aprovação do que pode ser o marco mais significativo no combate ao crime organizado na história do Brasil. O PL Antifacção, aprovado em 18 de novembro de 2025, representa não apenas uma mudança legislativa, mas uma transformação de paradigma no enfrentamento às organizações criminosas que dominam territórios e corrompem instituições.
O Contexto da Urgência: Um País Sob Cerco
Para compreender a magnitude do PL Antifacção, é essencial retomar as revelações chocantes do estudo da Cambridge University Press, citado em “Brasil sob Governança Criminal“: o Brasil é o país com a maior população sob comando do crime organizado em toda a América. Esse dado não reflete apenas estatísticas – representa milhões de brasileiros vivendo sob o jugo de estados paralelos, onde facções ditam regras, controlam economias ilegais e corrompem o tecido social.
Derrite ecoou essa realidade ao declarar: “Um a cada quatro brasileiros, lamentavelmente, vivem sob o domínio e o terror do crime organizado, sob um estado paralelo com tribunais do crime e rotina de área de violência“. O PL Antifacção surge, portanto, como resposta direta a essa emergência nacional.
Os Pilares da Nova Estratégia: Onde o PL Antifacção Bate Mais Forte
1. Fim da Impunidade para Líderes e Estratégias
O projeto estabelece um novo patamar de responsabilização:
- Penas de 20 a 40 anos, podendo chegar a 66 anos de prisão para líderes faccionais
- Cumprimento de 70% a 85% da pena em regime fechado – um aumento significativo em relação aos 40% previstos na lei de crimes hediondos
- Extinção de benefícios: sem progressão de regime, sem indulto, sem anistia, sem liberdade condicional
- Prisão em presídio federal de segurança máxima, sem visita íntima
2. Asfixia Financeira: O Ataque ao Coração das Organizações
O PL Antifacção inova ao permitir o bloqueio de bens ainda na fase de inquérito, antes mesmo da conclusão do processo. Essa medida inclui:
- Bens, imóveis, veículos
- Criptomoedas e contas bancárias
- Cartões de crédito e débito
- Ações e outros investimentos
Como destacou Derrite: “É tiro certeiro no coração financeiro das organizações criminosas. Sem dinheiro não tem arma. Sem arma não tem domínio territorial“.
3. Rompimento com a Benevolência: O Fim do “Faccionado Privilegiado”
Um dos aspectos mais significativos do projeto é o contraste com a proposta governamental. Enquanto o PL Antifacção estabelece penas duras, o projeto do governo previa:
- Penas mínimas de 1 ano e 8 meses em regime aberto
- Ausência de medidas efetivas contra o patrimônio
- Manutenção de benefícios que permitiriam “desencarceramento em massa”
Derrite foi categórico: “Extinguimos a figura do faccionado privilegiado que o governo queria instituir“.
Inovações Estruturantes: Para Além do Aumento de Penas
O PL Antifacção não se limita a endurecer punições. Ele cria mecanismos inteligentes e permanentes de combate:
- Ação civil imprescritível para perseguir permanentemente o patrimônio de faccionados
- Banco Nacional de Organizações Criminosas Ultraviolentas, integrado a bancos estaduais
- Aumento de pena para uso de drones, georreferenciamento e tecnologia pelo crime
- Perdimento imediato de bens apreendidos, especialmente cigarro contrabandeado
- Destinação de valores apreendidos para fundos estaduais e nacional de segurança pública
O Processo Político: Diálogo Versus Polarização
A tramitação do PL Antifacção revelou profundas divisões na abordagem de segurança pública. Derrite destacou o caráter suprapartidário de sua relatoria: “Conversei com quase todos os líderes desta casa, de direita, de centro, de esquerda… 95% do texto aprovado hoje é exatamente igual ao meu primeiro texto“.
No entanto, o relator fez duras críticas ao governo federal: “Em nenhum momento recebi contato ou tentativa de conversa da Secretaria de Relações Institucionais do Governo Federal… O governo tentou impedir a evolução do projeto porque mandou para esta casa um texto fraco e benevolente com o crime organizado“.
O Impacto Potencial: Uma Análise Realista
O PL Antifacção representa a mais completa tentativa legislativa de:
- Desestruturar hierarquias criminosas através da prisão efetiva de líderes
- Sufocar economicamente as organizações pelo confisco de patrimônio
- Modernizar o combate ao incorporar novas tecnologias usadas pelo crime
- Criar um ciclo virtuoso onde o dinheiro do crime financia sua própria derrota
Desafios de Implementação e Perspectivas Futuras
A eficácia do PL Antifacção dependerá de:
- Capacidade de investigação e inteligência das polícias
- Coordenação entre sistemas estaduais e nacional
- Aprimoramento do sistema prisional federal
- Combate à corrupção que facilita o crime organizado
Como bem sintetizou Derrite: “Este projeto devolve ao Estado a capacidade de enfrentar organizações criminosas ultraviolentas de igual para igual. E mais do que enfrentar, a possibilidade de vencer“.
Conclusão: Um Marco na História da Segurança Pública
O PL Antifacção chega em um momento decisivo para a segurança nacional. Mais do que um conjunto de leis, representa uma declaração de que o Estado brasileiro está recuperando sua capacidade de proteger os cidadãos e enfrentar o crime organizado em todas as frentes.
A mensagem final, como anunciou o relator, é clara: “Acabou o seu domínio, acabou o seu conforto, acabou o seu dinheiro, acabou a sua farra. O Estado brasileiro voltou e voltou com força, com lei, com coragem“.
O sucesso desta empreitada determinará se, finalmente, o Brasil conseguirá reverter o triste título de nação com a maior população sob domínio do crime organizado das Américas – e devolver a milhões de brasileiros o direito fundamental de viver em paz.
Veja o discurso de Derrite abaixo:
Olhar Destro — Fatos. Fé. Liberdade. Sempre com olhar destro.
Defendemos a verdade — porque sabemos que, sem justiça, não há liberdade.



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