Capa The Economist 2025: o que foi previsto e no que acertou

Capa The Economist 2025

Todo final de ano, a The Economist lança sua tradicional e misteriosa capa de previsões para o ano seguinte. E, como sempre, o mundo inteiro tenta decifrar os símbolos, rostos e mensagens escondidas em suas ilustrações, que mais parecem advertências do futuro do que simples escolhas artísticas.
Em 2024, não foi diferente. A capa The Economist 2025 trouxe uma colagem de rostos, gráficos, ícones nucleares e símbolos cósmicos que despertaram uma enxurrada de interpretações. Agora, com o ano praticamente chegando ao fim, é possível avaliar o que, afinal, foi apenas especulação, e o que realmente se cumpriu com assustadora precisão.


O rosto por trás do caos

A capa mostrava um mosaico intrincado de figuras mundiais — Donald Trump, Xi Jinping, Vladimir Putin, Ursula von der Leyen e Volodymyr Zelensky — dispostas de maneira que, juntas, formavam um rosto humano oculto.
Essa simbologia foi lida como uma metáfora para a existência de um “rosto invisível” por trás dos acontecimentos globais: uma entidade ou sistema que dirige o tabuleiro político internacional.

Com os eventos de 2025, essa ideia ganhou força. Apesar das trocas de governo, guerras e crises, o poder global manteve-se concentrado nas mesmas mãos, as grandes potências, os blocos econômicos (como BRICS+ e G7) e as corporações tecnológicas que controlam informação e infraestrutura digital.


Trump, o retorno do Saturno e a reativação nuclear

Entre todos os elementos da capa The Economist 2025, um chamava mais atenção: o retrato de Donald Trump no centro da composição, cercado por gráficos ascendentes, símbolos de dólar e ícones nucleares.
Na época, interpretou-se isso como um presságio de uma nova era trumpista marcada por poder e confronto, especialmente após seu retorno à presidência dos EUA.

Agora, com o anúncio feito nesta semana (29 de outubro), essa previsão se cumpre de forma quase literal:
Trump determinou a retomada imediata dos testes nucleares americanos, algo que não acontecia há décadas. Em postagem na rede Truth Social, o presidente afirmou ter ordenado ao Departamento de Guerra que realize testes “em base equivalente” aos da Rússia e da China.

“Os Estados Unidos têm mais armas nucleares do que qualquer outro país (…). Por causa dos programas de testes de outros países, instruí o Departamento de Guerra a começar a testar nossas armas nucleares em base equivalente. Esse processo começará imediatamente.”Donald Trump, 29/10/2025

A decisão vem poucos dias após Vladimir Putin anunciar o sucesso do míssil nuclear Burevestnik, e às vésperas de um encontro entre Trump e Xi Jinping na Coreia do Sul.
Se na capa de 2025 o símbolo nuclear parecia uma metáfora, hoje ele soa como um prenúncio direto da escalada atômica entre as grandes potências.
O “Saturno na testa”, que muitos associaram ao deus do tempo e da destruição, agora representa também o retorno de um ciclo que parecia enterrado desde a Guerra Fria: o equilíbrio do medo nuclear.


O simbolismo de Saturno: o tempo da reconstrução (ou do colapso)

O planeta Saturno, colocado estrategicamente no topo da composição, foi interpretado como um marco temporal, o início de um novo ciclo de poder, no qual o “velho mundo” cede lugar a uma nova ordem.
Na mitologia, Saturno é Cronos, o devorador de eras. E o ano de 2025 parece ter cumprido essa simbologia: um tempo em que as estruturas políticas, econômicas e morais do Ocidente foram postas à prova.

De um lado, os EUA retomando o discurso de força e soberania, com Trump redefinindo alianças e retomando o arsenal nuclear.
De outro, a China enfrentando desaceleração econômica e a Rússia aprofundando seu isolamento, mesmo com ganhos militares estratégicos.
Saturno, portanto, cumpriu seu papel simbólico: aniquilar o antigo para dar lugar ao inevitável.


As previsões econômicas e o acerto dos sinais

A capa The Economist 2025 também mostrava um conjunto de símbolos econômicos:

  • Setas caindo ao lado do yen japonês;
  • O dólar cercado por linhas de tensão;
  • Um gráfico inclinado para cima e outro para baixo, indicando instabilidade;
  • E uma ampulheta se esvaziando, simbolizando o tempo econômico se esgotando.

Esses sinais se mostraram incrivelmente acertados.
O yen despencou, atingindo seu menor valor em 40 anos. O dólar perdeu parte de sua dominância global, fato que forçou o ouro para sua máxima histórica, e o mercado global entrou em uma nova era de volatilidade, marcada por crises energéticas, colapsos financeiros regionais e pela ascensão das moedas digitais estatais.

O tempo da estabilidade, como previu a ampulheta, chegou ao fim.


O olhar que tudo vê: vigilância e controle digital

Outro elemento marcante era o olho que tudo vê, presente em várias capas da revista ao longo dos anos.
Em 2025, a metáfora da vigilância tornou-se ainda mais literal. O avanço das inteligências artificiais de monitoramento, dos sistemas de reconhecimento facial e da regulação da informação online consolidou um mundo mais rastreado do que nunca.

O “olho” da capa não olhava apenas o futuro, olhava diretamente para nós, como lembrete de que, em nome da segurança, a privacidade tornou-se um luxo do passado.


O que ficou só na teoria

Alguns elementos, porém, ficaram apenas no campo simbólico.
A figura do “planeta vermelho”, associada por teóricos ao misterioso “Planeta X” — não se confirmou como evento astronômico, e as previsões de uma catástrofe global não se materializaram.
Mas o sentido metafórico permanece: o “vermelho” da capa pode muito bem ter representado o calor político e ideológico que incendiou o planeta em 2025, com disputas territoriais, crises diplomáticas e polarizações internas nas principais democracias.


Conclusão: a precisão simbólica da capa The Economist 2025

Se a The Economist costuma ser enigmática, a capa The Economist 2025 foi quase premonitória.
Ela antecipou:

  • O retorno de Trump ao poder;
  • A reacensão da corrida nuclear;
  • A fragilidade econômica global;
  • E a consolidação de um sistema de vigilância digital planetário.

Mais do que previsões, essas capas parecem funcionar como mapas simbólicos do espírito do tempo, lembretes de que o mundo é movido por forças que operam muito além da superfície das notícias.

Com o anúncio recente de Trump sobre novos testes nucleares, o enigma de 2025 ganha contornos ainda mais precisos: a capa que parecia uma metáfora se transformou, diante dos nossos olhos, em um espelho assustador do real.


A capa The Economist 2025 antecipou com precisão eventos de 2025 — da volta de Trump à reativação nuclear dos EUA. Veja o que a revista acertou (e o que errou).

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