Projeto Stargate: A Guerra Psíquica
Depois de explorar o Projeto MK Ultra e as conexões entre Stranger Things e a vida real, muitos leitores ficam com outra pergunta: será que a CIA explorou outras formas de manipular ou usanizar a mente humana como ferramenta de espionagem? A resposta está no pouco conhecido, mas documentado, Projeto Stargate — um programa secreto da inteligência dos EUA que investigou habilidades psíquicas, especialmente a chamada visão remota.
Este artigo reúne fatos, documentos desclassificados e análises para entender o que foi esse projeto, como funcionou e por que ele ainda intriga pesquisadores e curiosos. E, claro, se quiser conferir os textos anteriores que contextualizam essa história, você pode ler:
Projeto MK Ultra — a história secreta (https://olhardestro.com.br/projeto-mk-ultra-a-historia-secreta/)
Stranger Things e a vida real: o que inspirou a ficção (https://olhardestro.com.br/stranger-things-e-a-vida-real-o-que-inspirou-a-ficcao/)
1. O que foi o Projeto Stargate?
O Projeto Stargate foi um programa conduzido durante a Guerra Fria por agências de inteligência dos EUA — principalmente a CIA e o Army Intelligence and Security Command — com o objetivo de investigar o uso de capacidades psíquicas para fins de espionagem militar e de inteligência.
O foco principal estava na chamada visão remota (remote viewing): a alegada capacidade de um indivíduo descrever ou perceber detalhes de um alvo distante — por vezes geograficamente inacessível — sem o uso dos sentidos físicos.
O projeto começou oficialmente no final da década de 1970, embora algumas pesquisas e protocolos anteriores tenham começado no início da década de 1970, sob nomes como Project Scanate.
2. Visão remota: a técnica no centro da pesquisa
A visão remota foi o principal foco do Projeto Stargate. Essa técnica consiste basicamente em tentar perceber ou “ver” um local, objeto ou evento sem estar presente fisicamente no local, usando apenas o que seria descrito como percepção extrassensorial (ESP).
O termo remote viewing foi popularizado por Ingo Swann, um artista e pesquisador que participou dos primeiros experimentos e é creditado como um dos idealizadores dessa abordagem.
A CIA e o Stanford Research Institute (SRI), na Califórnia, desenvolveram protocolos como Coordinate Remote Viewing (CRV) para tentar padronizar e testar essas capacidades de forma controlada.
3. Como o projeto foi estruturado
O projeto passou por várias fases e codinomes ao longo de sua existência:
- Scanate (Scanning by Coordinate) — primeiros protocolos experimentais no início dos anos 1970.
- Grill Flame, Sun Streak e Center Lane — nomes usados em fases subsequentes.
- Stargate Project — nome oficial consolidado por volta de 1991.
O programa envolveu dezenas de indivíduos considerados talentosos em visão remota, incluindo nomes como Ingo Swann, Pat Price e outros que supostamente demonstraram descrições “precisas” de locais secretos ou distante de grandes instalações.
4. Documentos oficiais e o que eles mostram
Ao longo dos anos 1980 e início da década de 1990, muitos documentos relacionados ao Projeto Stargate foram desclassificados e disponibilizados online através de repositórios como a Reading Room da CIA e outras bibliotecas públicas de inteligência.
Esses documentos incluem:
- relatórios técnicos sobre os protocolos de visão remota;
- transcrições de sessões de teste;
- avaliações internas sobre a validade científica dos resultados;
De acordo com uma avaliação final da CIA em 1995, apesar de algumas sessões parecerem ter produzido resultados surpreendentes, o programa foi concluído sem evidência científica suficientemente robusta para justificar seu uso regular em operações de inteligência militar ou de espionagem.
5. Curiosidades e relatos populares
Ao longo dos anos, algumas sessões de remote viewing ganharam notoriedade em relatos populares — por exemplo, afirmações de que um participante teria descrito estruturas em outro planeta ou conseguido detalhes de locais secretos. Esses relatos circulam frequentemente em comunidades conspiratórias e materiais não oficiais, mas não fazem parte do corpo central dos documentos verificados.
Ingo Swann e experiências notáveis
Ingo Swann, além de ser um dos principais contribuidores para o desenvolvimento da visão remota, também relatou experiências como supostas observações de Júpiter antes de esses detalhes serem confirmados por sondas espaciais — embora tais relatos não tenham comprovação científica oficial.
Esses episódios contribuem para o fascínio cultural em torno do Stargate — semelhante à forma como o Projeto MK Ultra gerou mitos e teorias depois que seus arquivos foram parcialmente destruídos ou permaneceram escondidos por décadas.
6. Encerramento do programa e legado
O Projeto Stargate foi oficialmente encerrado em 1995, após anos de pesquisa e avaliações internas. Documentos desclassificados indicam que os resultados foram considerados inconsistentes e inadequados para aplicações práticas e rotineiras de inteligência.
A CIA contratou instituições como o American Institutes for Research para avaliar estatisticamente os dados, mas as conclusões foram de que a evidência não sustentava a adoção oficial de visão remota como ferramenta confiável.
Apesar disso, o Stargate segue como objeto de interesse de pesquisadores, curiosos e parte da cultura popular ao lado de outro programa de investigação mental da inteligência americana: o Projeto MK Ultra.
7. Stargate comparado com MK Ultra
Quando comparado ao MK Ultra, o Projeto Stargate apresenta algumas semelhanças e diferenças:
- 📌 Semelhança: ambos surgiram em contexto de Guerra Fria e exploraram limites da psicologia e percepção humana sob auspícios da inteligência militar.
- 📌 Diferença: enquanto o MK Ultra focou em manipulação e alteração da mente (com abuso ético documentado), o Stargate focou em percepção psíquica como uma possível ferramenta de espionagem.
- 📌 Documentação: muito do Stargate foi desclassificado integralmente, enquanto grande parte dos registros do MK Ultra foi destruída em 1973.
Conclusão
O Projeto Stargate pode parecer estranho para os padrões científicos do século XXI, mas ele foi uma busca real e documentada por capacidades além do convencional, conduzida em um período de intensa rivalidade ideológica global.
Assim como o Projeto MK Ultra, ele levanta perguntas importantes sobre os limites éticos da pesquisa, o papel do segredo estatal e como fenômenos pouco compreendidos podem ser incorporados ao imaginário cultural — seja na realidade histórica ou em inspirações para ficção, como vimos em textos sobre Stranger Things.
Os arquivos desclassificados, disponíveis em bibliotecas públicas de inteligência, permitem que pesquisadores e o público construam uma compreensão mais transparente do que foi explorado — e onde termina o fato e começa a especulação.
Olhar Destro — Fatos. Fé. Liberdade.



Publicar comentário