Receita Federal vai multar adulto que mora com os pais?

Receita Federal

Quando o brasileiro já não duvida de mais nada

Nos últimos dias, um boato tomou conta das redes sociais: a Receita Federal iria multar “adultos que moram com os pais” — ou seja, milhões de brasileiros que ainda não conseguiram sair da casa da família seriam punidos por não pagarem aluguel. A notícia era falsa. Mas o que chamou atenção não foi o boato em si — e sim o fato de que ninguém se surpreendeu.

A reação popular foi uníssona: “Capaz mesmo.”
E é aí que mora o verdadeiro sintoma da doença nacional — a completa desconfiança do povo em relação ao Estado.

Um país que já cobra por respirar

Quando o brasileiro ouve que o governo pode criar mais uma forma de cobrança, a resposta automática é “faz sentido”.
Porque no Brasil o absurdo virou rotina.
Somos o país onde se paga imposto sobre o imposto, tarifa sobre a taxa e multa sobre o erro que o próprio governo cometeu.
Se a Receita Federal anunciasse amanhã uma contribuição obrigatória sobre o oxigênio atmosférico, metade da população só perguntaria: “quanto por metro cúbico?”.

A ideia de multar filhos que moram com os pais soa como piada. Mas o problema é que o brasileiro já não sabe mais distinguir a piada da política fiscal.
Quando se vive em um país onde o governo taxa dividendos, inventa imposto sobre apostas, cria alíquota “unificada” que sobe o que já existia, e transforma o “temporário” em “definitivo”, é natural que o povo duvide da negação oficial.

O Estado que não protege, apenas arrecada

A Receita Federal rapidamente desmentiu o boato. Disse que “não faz o menor sentido”. O curioso é que, no Brasil, o que não faz sentido normalmente é aprovado e regulamentado.
O Cadastro Imobiliário Brasileiro (CIB), citado na confusão, é apenas um inventário de imóveis — mas, convenhamos, qual cadastro estatal foi criado sem fins de arrecadação?
A história econômica do Brasil é uma sucessão de medidas “meramente técnicas” que, poucos meses depois, viram fonte de receita.
O brasileiro aprendeu, na prática, que toda vez que o governo fala em organização, é melhor esconder o bolso.

A máquina tributária que devora o cidadão

O brasileiro trabalha, em média, 150 dias por ano apenas para pagar impostos.
Isso significa que metade do seu suor vai direto para sustentar uma máquina pública que cobra como a Suíça e entrega como Serra Leoa.
E quando finalmente sobra algo, surgem novas taxas, fiscalizações, revisões, e — claro — o medo da malha fina.
É o Estado transformando o contribuinte em suspeito, e o cidadão em fonte inesgotável de recursos.

Não há mais confiança, há exaustão.
Não há mais indignação, há resignação.
O brasileiro deixou de se espantar com o abuso — e começou a apenas esperar o próximo.

Entre o humor e o desespero

O episódio dos “adultos multados por morar com os pais” é, no fundo, uma parábola moderna sobre o colapso de credibilidade das instituições públicas.
Não é que o povo acredite em tudo — é que já não duvida de nada.
E quando uma sociedade chega a esse ponto, é porque o Estado falhou em seu dever mais básico: ser confiável.

Enquanto isso, o brasileiro segue sobrevivendo — não ao custo de vida, mas ao custo do governo.


Olhar Destro — Fatos. Fé. Liberdade. Sempre com olhar destro.
Defendemos a verdade — porque sabemos que, sem liberdade fiscal, não há liberdade alguma.

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